A paz que estou sentindo
22:00


Levei muito tempo mergulhada nessa imensidão, morria de medo de mim mesmo e não me aceitava porque pessoas próximas não me aceitam. Problema delas, digo eu. Hoje, Só hoje. Levei muito tempo para entender que só eu posso fazer as coisas por mim mesmo, que só eu posso quebrar a cara e que ninguém realmente vai estar la. Levei muito tempo para entender que não importa o que os seus pais achem, eles não são você. Levei muito tempo para entender que o medo de perder alguém próxima, estava me fazendo eu me perder. Foram dias na cama, foram cortes profundos, foram ataques de ansiedade e quase um depressão que me fez despertar, me fez levantar do meu estado vegetativo e ir atras de das coisas que eu quero para mim. Em pequenos passos, um de cada vez. Ainda estou me recordando como é ficar em pé, ficar fora da cama, tomar sol, sair com os amigos, estou cambaleando por ai, como um bêbado procura um lugar pra deitar, eu procuro a mim.
Não foi um banho de água fria, não foi um sono bem dormido ou uma conversa bem intima, foi um ano inteiro perdida. Me chamaram de preguiçosa, de inútil, de vagabunda, e eu só queria meu cobertor naquela manhã, e na próxima, na próxima, na outra também por favor. Ninguém passou pelo o que eu passei e ninguém estava querendo ajudar, e assim passei mais dias na cama. Me afastei de pessoas, outras nem cheguei a conhecer, perdi programas e passeios, não senti falta, não me senti mal, foi ai que eu percebi. Percebi que esse era o problema: eu. Foi todo um processo, chegar finalmente no fundo do poço, chorar por ajuda, morrer lentamente ninguém vai ajudar, descobrir que só eu posso me ajudar e sair do poço sozinha.
Sinto que nunca vou ficar curada, sinto que não é minha culpa, eu só não posso mais depender dos outros, só não posso mais escolher a felicidade dos outros. E sei que eles não vão gostar, é como alguém submisso saindo do casulo e o dominador não vai deixar, é da natureza dele. Mas eu não ligo, eu sou mais importante, que me taquem pedras, me acoitem, que engulam suas raivas e ganhem machucados com o seu próprio veneno.

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